TWAG e ePDG em uma única solução: acesso Wi-Fi confiável e não confiável ao core da operadora

November 6, 2026
Mobile Networks
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TWAG e ePDG em uma única solução: acesso Wi-Fi confiável e não confiável ao core da operadora
Há muito tempo, a maior parte do tráfego dos smartphones passa pelo Wi-Fi. Nos Estados Unidos, segundo dados da Opensignal de 2024, essa fatia é de cerca de 89%. E quase todo esse tráfego não chega ao core da operadora móvel. Ele não recebe políticas nem tarifação e não entra nas análises. E onde não há cobertura celular, o assinante simplesmente desaparece para a operadora.

O acesso confiável por meio do TWAG permite trazer todo esse tráfego de volta ao core. Mostramos como nossa solução funciona, por que ela opera com qualquer ponto de acesso e quais são os benefícios para MNOs e MVNOs.

How VAS Experts TWAG works
Figura 1 — Como o TWAG funciona

Acesso confiável e não confiável

A especificação 3GPP TS 23.402 descreve duas formas de conectar o Wi-Fi ao core de pacotes da operadora. A diferença está em a operadora confiar ou não na rede pela qual o assinante chegou.

O acesso não confiável (untrusted) foi pensado para qualquer rede, seja o roteador doméstico do assinante ou o Wi-Fi de um café. A operadora não a controla, por isso quem protege o tráfego é o próprio dispositivo móvel. Ele cria um túnel IPsec até o gateway ePDG, e o ePDG entrega a sessão ao core pela interface S2b. É assim que funciona o Wi-Fi Calling, presente hoje em praticamente todo smartphone.

O acesso confiável (trusted) é usado em uma rede controlada pela operadora. Todo o tráfego do assinante passa pelo core, e não apenas as chamadas, de modo que a operadora não perde nem o tráfego nem o controle sobre ele. O celular não precisa de túnel IPsec, então a velocidade é a mesma do Wi-Fi comum. O assinante se conecta pelo SIM, sem senhas, e mantém seu número, plano e serviços, como no LTE.

Acesso não confiável (ePDG) Acesso confiável (TWAG)
Tipo de rede Qualquer uma, sem controle da operadora Rede em que a operadora confia, com WPA2/WPA3-Enterprise
Autenticação Pelo SIM, ao estabelecer o túnel IPsec Pelo SIM, via 802.1X/EAP-AKA ao conectar ao ponto de acesso
Proteção do tráfego Túnel IPsec do celular até o ePDG Criptografia do enlace de rádio WPA2/WPA3, sem necessidade de IPsec
Interface com PGW/SMF S2b S2a
Tráfego na solução da VAS Experts Voz, SMS, videochamadas Tráfego de internet e serviços móveis

Para o assinante, a diferença é quase imperceptível, mas para a operadora ela é fundamental. O Wi-Fi Calling traz de volta ao core apenas as chamadas. O acesso confiável traz de volta todo o tráfego e torna o Wi-Fi uma parte integral da rede. Resta a pergunta: quem, nesse esquema, verifica o assinante pelo SIM, abre uma sessão para ele e encaminha o tráfego ao core? Para isso é necessário um gateway de acesso confiável dedicado, o TWAG, que a VAS Experts agora oferece.

Arquitetura do TWAG

O TWAG (Trusted Wireless Access Gateway) é um gateway que transforma o Wi-Fi em mais uma rede de acesso da operadora, em pé de igualdade com o LTE. Ele permite que o assinante se conecte ao ponto de acesso usando o chip SIM, sem senhas nem portais, receba um endereço do pool da operadora e use seu próprio plano e serviços.

O TWAG fica entre os pontos de acesso Wi-Fi e o core da operadora. Ele se comunica com os pontos de acesso via RADIUS, com o HSS via SWx e com o PGW / SMF via S2a e GTP-U. Na nossa implementação, o gateway reúne quatro funções principais.

Função O que faz
Autenticação pelo SIM Recebe as mensagens EAP-AKA do ponto de acesso via RADIUS e verifica o assinante. Obtém os vetores de autenticação do HSS via SWx ou STa; o método é escolhido conforme a identidade do celular
Sessão no core Abre uma sessão para o assinante no PGW / SMF via S2a, no APN correto e com as políticas dele
Atribuição de endereço Atribui ao celular, via DHCP, um endereço do pool da operadora e passa a ser o gateway padrão dele
Encaminhamento do tráfego Encapsula o tráfego do assinante em GTP-U e o envia ao core, via DPDK ou pela pilha de rede do sistema operacional

O celular encontra a rede da operadora por um perfil Passpoint ou por um SSID conhecido. A autenticação pelo SIM leva cerca de um segundo. Em seguida, o TWAG abre a sessão, o celular recebe um endereço e o tráfego já passa pelo DPI e pelo PCEF da operadora, com as mesmas tarifas, cotas e pontos de interceptação legal do LTE. Ao reconectar, o ponto de acesso inicia novamente a autenticação EAP, mas a sessão no core é mantida. O assinante continua com o mesmo endereço IP e os mesmos serviços.

Além das funções principais, o TWAG faz a contabilização das sessões via RADIUS Accounting e pode desconectar o assinante. Se o SIM for bloqueado, o gateway envia ao ponto de acesso o comando RADIUS Disconnect.

O TWAG nos produtos da VAS Experts

O TWAG é um dos componentes da solução TWAN da VAS Experts, que reúne as ferramentas para organizar o acesso Wi-Fi confiável e não confiável à rede da operadora. A solução completa inclui cinco componentes (veja a Tabela 1).

Tabela 1 — Componentes da solução para Wi-Fi

Componente Papel na solução
TWAG Acesso confiável; por ele passam os dados do assinante sem IPsec
ePDG Acesso não confiável; por ele passam voz e SMS (Wi-Fi Calling)
PGW / SMF Gerenciamento de sessões e atribuição de endereços do pool da operadora
DPI Processamento de tráfego, filtragem, NAT, priorização
PCEF Aplicação de políticas e tarifação via Gx e Gy por meio do PCRF e do OCS

A parte central da solução é a combinação de dois gateways, TWAG e ePDG. Na solução, o tráfego é separado: os dados passam pelo TWAG sem criptografia e, para uma chamada, o celular abre um túnel IPsec até o ePDG dentro da sessão já aberta, como em qualquer Wi-Fi doméstico. Os dois gateways entregam o assinante ao mesmo core, e nosso ePDG já atende o Wi-Fi Calling na rede comercial de uma operadora.

Mobile core network components
Figura 2 — A solução completa: TWAG, ePDG, PGW / SMF, PCEF e DPI

Por que os dados trafegam sem IPsec. O enlace de rádio entre o celular e o ponto de acesso é criptografado com WPA2 / WPA3-Enterprise, o acesso à rede é protegido por autenticação 802.1X e o ponto de acesso Wi-Fi é conectado à rede da operadora via VPN. Por isso, não é necessário um túnel IPsec adicional.

Se a operadora não tiver core próprio, somam-se a eles nossos IMS, HSS, MME e UPF. Se tiver, os gateways se conectam a ele pelas interfaces padrão S2a, S2b, SWx, STa e RADIUS, inclusive a equipamentos de outros fabricantes.

A Tabela 2 mostra quais serviços essa combinação oferece e quais componentes os implementam.

Tabela 2 — Serviços e componentes

Serviço Como é implementado Componente
Conexão pelo SIM sem senhas 802.1X / EAP-AKA, vetores de autenticação do HSS, ponto de acesso de qualquer fabricante TWAG, HSS
Sessão e endereço como no LTE S2a até o PGW / SMF: APN, endereço do pool da operadora, atribuição via DHCP TWAG, PGW / SMF
Internet Roteamento, NAT, filtragem, proteção UPF, DPI
Políticas e tarifação Gx / Gy: cotas, listas brancas, prioridades, QoS por serviço; CDR PCEF, DPI, PCRF e OCS
Acesso corporativo APN → pool de endereços → VRF, políticas por assinante PGW / SMF, DPI
Voz, SMS, videochamadas Wi-Fi Calling: túnel IPsec até o ePDG pela sessão de dados, APN ims ePDG, IMS
Interceptação legal Todo o tráfego Wi-Fi passa pelo PGW, com os mesmos pontos de interceptação do LTE PGW / SMF, DPI
Desconexão e controle de acesso Comandos do AAA ou do HSS desconectam o assinante no ponto de acesso; contabilização via RADIUS TWAG
Monitoramento e diagnóstico Métricas Prometheus / Grafana, rastreamento do assinante por IMSI, MSISDN ou MAC TWAG, monitoramento

Por que o TWAG interessa a operadoras móveis e virtuais

Uma MNO, ou seja, uma operadora com frequências e estações rádio base próprias, já tem cobertura. Para ela, o Wi-Fi é uma forma de deixar a rede mais barata e mais densa onde a cobertura celular não é suficiente. O TWAG permite que a MNO resolva várias questões:

  • Descongestionar as macrocélulas em estádios, estações e shoppings, onde ficam sobrecarregadas nos horários de pico.
  • Garantir cobertura indoor sem DAS nem small cells. Um ponto de acesso Wi-Fi 6 custa bem menos que uma small cell, e a instalação leva poucos dias.
  • Trazer de volta ao core o tráfego que já passa pelo Wi-Fi, junto com tarifação, políticas e interceptação legal.
  • Se o grupo tiver um provedor de banda larga fixa, criar um produto convergente “casa + móvel”.

Cenário: roteadores domésticos do provedor

O grupo tem um provedor com centenas de milhares de roteadores em residências e prédios. Em cada um deles surge um segundo SSID da operadora com suporte a Passpoint. O assinante, na casa de amigos ou no pátio do prédio, se conecta a ele automaticamente pelo SIM e ganha velocidade de Wi-Fi onde o LTE não chega. O tráfego dos roteadores já é agregado na rede do provedor e chega ao TWAG via IP.

Para uma grande operadora, o TWAG é, antes de tudo, uma forma de descongestionar as células e garantir cobertura indoor. Mas a parte mais interessante diz respeito às MVNOs.

Uma MVNO, ou seja, uma operadora virtual, não tem rede de rádio própria e opera na rede de uma operadora hospedeira. O TWAG permite que ela tenha, pela primeira vez, sua própria rede de acesso, o que significa que parte do tráfego deixa de ser paga à operadora hospedeira.

  • Pagar menos à hospedeira. Cada gigabyte que o assinante consome no Wi-Fi da própria MVNO não precisa ser comprado no atacado.
  • Estar presente onde a hospedeira não tem cobertura, por exemplo, em locais remotos.
  • Vender a clientes B2B acesso corporativo pelo SIM no Wi-Fi do escritório.

O TWAG entrega o assinante ao core da operadora, por isso a MVNO precisa de HSS e PGW próprios, ou seja, do modelo de full MVNO.

Cenário: alojamento de trabalhadores em local remoto

Alojamentos de trabalhadores, navios, minas, canteiros de obras: lugares onde não há rede macro e nunca haverá. No local são instalados pontos de acesso Wi-Fi 6 comuns, e o tráfego deles chega por enlace de satélite ao TWAG no core da operadora. As pessoas se conectam pelo SIM e fazem chamadas com o próprio número via Wi-Fi Calling, enquanto o empregador ganha um acesso gerenciado, com políticas e contabilização. Para a MVNO, é um ponto de presença próprio, sem operadora hospedeira.

Desempenho e dimensionamento

Um único servidor TWAG processa até 100 Gbps de tráfego e até 50.000 conexões de assinantes por segundo. Um milhão de sessões exige 36 GB de memória. Para o desempenho máximo, o tráfego é processado no espaço do usuário via DPDK, sem passar pela pilha de rede do sistema operacional. Com carga baixa, é possível usar a pilha de rede do sistema operacional em qualquer máquina virtual.

Perfis típicos de implantação:

Perfil Assinantes Tráfego TWAG ePDG PGW/SMF DPI + PCEF Servidores
Inicial 50.000 10 Gbps 1 + 1 VM 1 + 1 VM 1 + 1 VM 1 + 1 VM 2
Regional 300.000 30 Gbps 1 + 1 1 + 1 1 + 1 2 + 1 9
Nacional 1.000.000 100 Gbps 2 + 1 2 + 1 1 + 1 6 + 1 15
Grupo de operadoras 3.000.000 300 Gbps 6 + 1 3 + 1 3 + 1 17 + 1 33

O cálculo considera um servidor x86 com 32 núcleos, 128 GB de RAM e duas portas 100GbE. Se um nó falhar, a carga nos demais não passa de 60%. No perfil “Inicial”, todos os componentes funcionam como máquinas virtuais em dois servidores. O ePDG é dimensionado pela voz e pelos SMS dos assinantes Wi-Fi, enquanto o DPI e o PCEF são dimensionados pelos assinantes e pelo tráfego de toda a rede, não apenas do Wi-Fi. A escalabilidade é feita com a adição de nós, sem trocar a plataforma.

No nosso laboratório de testes, todo o caminho do assinante, do celular até o core, é construído com produtos da VAS Experts. É possível ver na prática como o assinante passa para o Wi-Fi, como o tráfego dele é tarifado e como funciona uma chamada pelo ePDG. Podemos demonstrar o laboratório com seus chips SIM e seu ponto de acesso. Um piloto no seu site leva de 4 a 6 semanas.

TWAG demo test bed and testing
Figura 3 — Laboratório de demonstração

A solução é implantada em dois sites com redundância N+1, e o estado das sessões é armazenado no Redis. Se um nó reiniciar, o assinante não percebe. A entrega pode ser em servidor físico, máquina virtual, Kubernetes ou nuvem.

Cenário: um estádio em dia de jogo

Dezenas de milhares de torcedores lotam a arena, e a macrocélula não dá conta. Sob as arquibancadas há centenas de pontos de acesso Wi-Fi 6 / 6E com o SSID da operadora. Os celulares dos torcedores passam sozinhos para o Wi-Fi pelo SIM, e o tráfego de toda a arena é processado por um único nó TWAG com capacidade de até 100 Gbps. A rede celular fica para a voz e para quem está em movimento.

Conclusão

O acesso confiável e o não confiável não competem; eles se complementam. Na combinação de TWAG e ePDG, cada gateway atende sua parte do tráfego:

  • o TWAG entrega os dados do assinante ao core sem túnel IPsec, com o mesmo número, plano e políticas do LTE;
  • o ePDG entrega voz e SMS ao IMS por um túnel IPsec dentro da sessão de dados;
  • o core, as políticas, a tarifação e a interceptação legal continuam compartilhados entre LTE e Wi-Fi.

A solução foi testada em um ambiente real de operadora, nos laboratórios de uma MVNO em atividade; o Wi-Fi Calling no ePDG funciona na rede comercial de uma operadora, e o DPI e o PCEF estão em operação comercial. A solução pode substituir o Cisco SaMOG e o Ericsson Wi-Fi Mobility Gateway. Para o 5G, a arquitetura de acesso confiável vai evoluir para TNGF / TWIF e ATSSS.

Veja o TWAG em ação. Faremos uma demonstração no nosso laboratório com seus chips SIM e seu ponto de acesso, da conexão até a chamada. Um piloto no seu site leva de 4 a 6 semanas.