Como os planos móveis mudaram e qual o papel do PCEF nisso tudo?

July 16, 2026
Mobile Networks Stingray SG Functionality
Como os planos móveis mudaram e qual o papel do PCEF nisso tudo?
Para uma operadora, o plano se tornou uma ferramenta de gestão de demanda, carga de rede e receita. Por meio da grade de planos, a operadora pode divulgar seus próprios serviços, vender tráfego adicional, oferecer prioridade de serviço premium, conectar dispositivos IoT e montar pacotes corporativos.

Neste artigo, vamos explicar como as operadoras podem distribuir o tráfego, quais tendências influenciam isso e qual o papel do PCEF nesse cenário.

Tendências do mercado móvel

Apesar da rápida disseminação da internet móvel, o nível de penetração continua desigual. Segundo a GSMA, cerca de 4,7 bilhões de pessoas usam internet móvel, enquanto outros 3,4 bilhões ainda estão fora das redes de dados móveis. Ao mesmo tempo, as operadoras atuam em contextos muito diferentes entre si: em alguns mercados vendem perfis 5G e acesso premium, enquanto em outros o negócio ainda se baseia em pacotes pré-pagos baratos.

A análise de mercado e a experiência da VAS Experts mostram que as diferenças entre regiões dizem respeito principalmente à vitrine de planos. Na Europa, são populares os pacotes grandes e os planos familiares; na América do Norte, planos ilimitados de vários níveis com diferentes prioridades de tráfego. Na Ásia, na África e no Oriente Médio, há demanda por pacotes pré-pagos curtos, serviços de conteúdo, planos sociais e condições especiais de acesso a determinados recursos.

Mas por mais diferentes que os planos pareçam à primeira vista, a rede precisa resolver o mesmo conjunto de tarefas para viabilizá-los: contabilizar o tráfego em diferentes bolsões (buckets), separar mensageiros do tráfego geral, gerenciar a velocidade após o limite ser atingido, aplicar regras específicas para vídeo, roaming, compartilhamento de internet (tethering) e IoT, além de garantir acesso a serviços críticos.

Para o assinante, tudo isso parece apenas um plano; dentro da rede, porém, é um conjunto de políticas que precisam ser aplicadas a cada assinante e a cada fluxo em tempo real. Entre esses dois níveis, é necessário um componente que traduza as condições comerciais do plano em ações concretas sobre o tráfego.

5 casos de uso que já esperam pelos seus assinantes

Vamos mostrar, em cinco cenários de tendência, como diferentes planos são construídos a partir da mesma rede.

Pacote de GB com redução de velocidade após atingir o limite

O assinante recebe um pacote de tráfego, digamos 30 GB. Ao esgotar o limite, a internet não é desligada, mas a velocidade cai para um nível predefinido. As operadoras implementam a chamada Política de Uso Justo (Fair Usage Policy, FUP). Em geral, as condições detalhadas ficam estabelecidas em contrato.

O que acontece no nível da rede O que o PCEF faz
É atribuída ao assinante uma cota de tráfego. Quando o pacote se esgota, a rede precisa alterar o perfil de atendimento da sessão ativa. O PCEF contabiliza o consumo, recebe um evento de esgotamento de cota vindo do billing e aplica a nova política. Por exemplo, transfere o assinante do perfil base para uma velocidade limitada, ou bloqueia totalmente determinados serviços. Se o assinante comprar um pacote adicional, o PCEF restaura as condições originais.
O que a operadora ganha
O acesso não é interrompido depois que o limite é atingido — o assinante passa para o modo de velocidade limitada. Sobre isso é possível construir a venda de gigabytes extras, “botões turbo” e a migração para outros planos com maior volume de dados.
Como isso é implementado no Stingray PCEF da VAS Experts

O Stingray PCEF mantém um registro em tempo real do consumo do pacote por meio da integração com o OCS via interface Gy, e armazena vários perfis de velocidade para um mesmo assinante. 

A operadora define regras de atendimento para os diferentes estados da cota, e, quando ela se esgota, a sessão ativa é automaticamente transferida para o modo de velocidade limitada sem queda de conexão. Ao comprar mais dados ou acionar o botão turbo, o faturamento envia um evento correspondente, e o PCEF restabelece a velocidade total em tempo real. 

O assinante pode ser avisado com antecedência de que está se aproximando do limite — por meio de redirecionamento para uma página informativa via Captive Portal, o que aumenta a conversão em compras adicionais.

Example of Speed-Based Packet Limitation
Figura 1 — Limites de velocidade de pacotes após o limite na Telstra (Austrália)

Aqui muda o próprio modelo de receita. No esquema de pacote de dados finito, é importante que a operadora encontre um equilíbrio entre restrições e conveniência para o assinante. Quanto menor a velocidade após o limite, maior a probabilidade de o usuário comprar mais gigabytes ou ativar uma opção adicional — mas restrições excessivamente rígidas podem prejudicar a experiência do usuário.

A redução de velocidade funciona de outra forma: depois que o limite é atingido, o assinante mantém o acesso à rede, porém sob outras condições de atendimento. O assinante permanece online e decide por conta própria se vai pagar por mais velocidade naquele momento. O parâmetro gerenciado deixa de ser o volume restante de gigabytes e passa a ser o perfil em que a sessão se encontra. Sem essa mudança de abordagem, não é possível construir as demais mecânicas.

Zero-rating e acesso ilimitado a serviços específicos

Mensageiros, redes sociais, música ou vídeo não consomem o pacote principal.

O que acontece no nível da rede O que o PCEF faz
Cada fluxo precisa ser atribuído à categoria correta. WhatsApp, Telegram ou um serviço de música devem ser contabilizados separadamente do tráfego geral de internet. Aplica uma política separada ao tráfego do serviço selecionado: não o deduz do bolsão principal, o contabiliza em um bolsão separado, ou envia estatísticas ao billing sob uma regra específica.
O que a operadora ganha
Pode criar planos de conteúdo, pacotes com parceiros e divulgar seus próprios serviços sem precisar manter listas de endereços IP manualmente.
Como isso é implementado no Stingray PCEF da VAS Experts

O reconhecimento de serviços se baseia em assinaturas de tráfego combinadas com o Stingray Service Gateway. Em seguida, o Stingray PCEF aplica a esse tráfego as políticas de atendimento e faturamento configuradas. Telegram, WhatsApp ou uma plataforma de vídeo são identificados pelo tipo de tráfego transmitido, e não por uma lista de endereços IP. 

A operadora cria uma cesta de aplicativos com tarifação zero para o serviço escolhido, e o PCEF implementa a tarifação separada para o tráfego zero-rating em relação ao restante do tráfego de internet, de modo que o tráfego ilimitado não reduza a cota principal. As estatísticas da cesta são enviadas ao faturamento separadamente, portanto o tráfego ilimitado não consome a cota principal do assinante. Para o reconhecimento correto dos serviços, o Stingray Service Gateway atualiza automaticamente as assinaturas dos aplicativos e não exige manutenção manual.

Zaro-Rating Example
Figura 2 — Plano de dados da Movistar (Telefónica del Perú S.A.A.) (Peru) com uso ilimitado de redes sociais

O tempo de validade do zero-rating depende de quais critérios são usados para identificar o serviço. Se o reconhecimento for baseado apenas em listas de endereços IP, elas precisam ser atualizadas constantemente. Caso contrário, o tráfego do serviço pode começar a consumir o pacote, apesar da promessa de que isso não aconteceria. O reconhecimento preciso por aplicativo e por domínio é garantido pela plataforma DPI Stingray. Estão disponíveis classificação estendida e atualização automática de assinaturas.

Tarifação multi-bolsão (Multi-bucket)

Um mesmo plano inclui vários pacotes: internet geral, vídeo, redes sociais, música, roaming e compartilhamento de internet. Cada categoria tem seu próprio limite e suas próprias regras.

O que acontece no nível da rede O que o PCEF faz
O tráfego não pode ser contabilizado como um único número geral. Os fluxos precisam ser distribuídos em bolsões, e as regras precisam ser alteradas separadamente para cada categoria. Associa um fluxo ao bolsão correto e aplica a ele uma política separada. Se o pacote de vídeo se esgotar, as regras mudam para o vídeo; se o pacote geral se esgotar, os mensageiros podem continuar funcionando.
O que a operadora ganha
A operadora constrói planos mais flexíveis sem depender de um único pacote de gigabytes. Com os mesmos recursos, é possível criar um plano de massa, um pacote jovem, uma opção de roaming ou um pacote de parceiros.
Como isso é implementado no Stingray PCEF da VAS Experts

Cada categoria de tráfego é colocada em seu próprio bolsão (rating group), com limite e unidade de medida próprios, e a classificação baseada em DPI distribui automaticamente vídeo, redes sociais, música e roaming em seus respectivos bolsões. O esgotamento de cota é tratado separadamente para cada bolsão, de modo que esgotar o pacote de vídeo não afeta os mensageiros. Todos os bolsões são sincronizados com o OCS via Gy.

Multi-bucket data plans
Figura 3 — Planos multi-bolsão da Globe Telecom (Filipinas)

A flexibilidade de um plano é determinada não pela quantidade de pacotes, mas pela independência entre os bolsões. Quando esgotar um bolsão não afeta os demais, é possível construir qualquer número de planos para diferentes segmentos a partir das mesmas categorias e regras.

Compartilhamento de internet (tethering)

No próprio smartphone, a internet funciona sem restrições, mas compartilhá-la com um notebook ou outros dispositivos é tarifado separadamente, limitado em volume, ou disponível mediante pagamento adicional.

O que acontece no nível da rede O que o PCEF faz
É preciso diferenciar o tráfego normal do smartphone do tráfego de compartilhamento e aplicar a ele regras separadas. Divide o tráfego do dispositivo doador (aquele que compartilha a conexão) e o do dispositivo receptor (aquele que consome a conexão compartilhada) em bolsões separados. Está disponível a limitação de velocidade independente para o tráfego compartilhado, além do envio ao billing de informações sobre o início do compartilhamento. Enquanto isso, o tráfego próprio do doador continua sendo atendido pelo perfil base.
O que a operadora ganha
A operadora controla a carga gerada pelo compartilhamento de internet e pode oferecê-lo como um serviço separado, sem misturá-lo ao acesso comum pelo smartphone.
Como isso é implementado no Stingray PCEF da VAS Experts

O Stingray PCEF detecta o compartilhamento de internet por características típicas do tráfego de hotspot e o separa em seu próprio bolsão, com limite e velocidade próprios. A regra distribui o tráfego compartilhado e o do smartphone em perfis diferentes: o smartphone opera no perfil base, enquanto o tráfego compartilhado é limitado em velocidade ou redirecionado para uma página de ativação de serviço pago. Quando o volume é excedido ou o hotspot pago é ativado, o evento é enviado ao billing.

Plans with Hotspot Data Limits
Figura 4 — Planos da AT&T (EUA) com restrições de tráfego de hotspot

O compartilhamento é tarifado com base em como a conexão é usada, e não no conteúdo do tráfego, e o custo de um erro aqui é maior do que nos demais cenários. Uma detecção grosseira penaliza assinantes honestos, enquanto a ausência dela sobrecarrega a rede. Antes do lançamento, vale verificar a precisão da detecção de compartilhamento e o comportamento do sistema diante de falsos positivos.

Pacotes por tempo e ilimitado noturno

O assinante ativa um pacote de um dia, um ilimitado noturno, um passe de fim de semana ou um botão turbo por algumas horas.

O que acontece no nível da rede O que o PCEF faz
A política precisa ser ativada no momento certo, aplicada à sessão ativa e desativada ao final do período. O PCEF recebe um evento de ativação de serviço, aplica a regra temporária e restaura a política base ao final do período. Por exemplo, à noite o tráfego não é deduzido do pacote principal, e pela manhã volta a ser contabilizado pelas regras normais.
O que a operadora ganha
A operadora pode lançar rapidamente opções pagas de curta duração, testar a demanda e vender cenários adicionais sem alterar o plano base.
Como isso é implementado no Stingray PCEF da VAS Experts

Os planos por tempo funcionam por meio de políticas vinculadas a horários e gatilhos de ativação — seja por agendamento, seja por comando do OCS na compra de uma opção. Durante o período ativo, uma regra prioritária é acionada, e, ao final do intervalo, o produto restaura automaticamente a política base sem interromper a sessão. As alterações são aplicadas às sessões ativas em tempo real via RAR sobre Diameter.

Example of time-based tariff plans
Figura 5 — Grade de planos por tempo da MTN (Nigéria)

Conclusão

As cinco mecânicas se apoiam na mesma camada de execução. O Stingray PCEF, junto com o DPI, reconhece serviços e tipos de tráfego, os distribui em bolsões, aplica as políticas necessárias e troca eventos com o billing e o OCS. Graças a isso, uma operadora pode construir diferentes planos a partir da mesma rede, e a velocidade de lançamento de novas opções deixa de depender da compra de equipamentos ou de desenvolvimentos demorados.

O mercado de planos móveis muda rápido, e quem vencer será quem conseguir transformar uma ideia em produto funcional com a mesma rapidez. Na minha visão, é exatamente essa capacidade que a gestão flexível de tráfego oferece à operadora: a linha de planos se torna uma ferramenta viva, que pode ser reconstruída para se adaptar à demanda quantas vezes o mercado exigir.