É possível que muito tráfego possa “quebrar” a Internet?

April 12, 2021
Telecom
É possível que muito tráfego possa “quebrar” a Internet?
Em janeiro de 2021, a costa nordeste dos Estados Unidos enfrentou inúmeros problemas de conectividade com a Internet.

Em muitas cidades, o acesso à internet foi completamente interrompido. Google, Facebook, Amazon, Zoom, Slack e alguns outros serviços não funcionaram. Segundo a agência Bloomberg, o motivo foi um aumento inesperado e rápido na carga nas redes das operadoras devido ao crescimento do tráfego de internet.

Após ajustes em seu sistema peer-to-peer, uma delas desencadeou um aumento não intencional no tráfego, que sobrecarregou diversas redes ao longo da Costa Leste. Fontes da agência Bloomberg concordam que o incidente não teve relação com atividades de hackers.

Em março de 2020, a pedido das autoridades da UE, a Netflix e o YouTube estavam reduzindo a qualidade de seus vídeos de streaming para aliviar a carga das redes das operadoras de telecomunicações. Durante a pandemia do coronavírus, em maio de 2020, o ex-presidente da FCC, Tom Wheeler, disse que os reguladores do país “não sabem” quanto dinheiro as operadoras de telecomunicações precisarão gastar para atualizar a infraestrutura e lidar com a carga. Em muitos estados, o tráfego aumentou quase 100% e, naquela época, a situação era semelhante em outros países do mundo.

A pergunta óbvia surge: é possível que muito tráfego de internet possa “quebrar” a internet? Mesmo que a pandemia esteja recuando agora e pareça que a internet está ilesa, e se fosse apenas sorte e da próxima vez a internet quebrasse? Vamos tentar descobrir.

O que realmente está acontecendo com a rede

De acordo com especialistas da Fundação Americana para Tecnologia da Informação e Inovação, o aumento do tráfego não é capaz de interromper a internet. Especialistas acreditam que, mesmo considerando o aumento da carga durante a pandemia, a velocidade da internet não diminuiu significativamente. Na maioria dos casos, a redução chega a alguns megabits por segundo, o que não altera significativamente os cenários usuais de uso da internet para a maioria dos usuários.

Como sabemos pelas estatísticas de grandes provedores de internet, os novos padrões de pico de tráfego se estabilizaram rapidamente e estão dentro das capacidades operacionais das redes modernas. Apesar da abundância de videochamadas comerciais, a atividade dos usuários da internet ainda é altamente assimétrica — o tráfego de download é muito maior do que o de upload. Ao contrário de assistir a vídeos no YouTube, as videochamadas com fundo estático geralmente não sobrecarregam o canal.

Apesar das mudanças na estrutura do aumento do tráfego causado pelo coronavírus, ele permaneceu dentro das previsões, segundo as quais operadoras em todo o mundo elaboraram planos de atualização de rede. Além disso, a maior parte do streaming de vídeo (que representa 60% do tráfego atual) suporta codificação adaptativa e pode “diminuir” se a rede estiver sobrecarregada.

Quais são as outras opções para resolver o problema?

No início de fevereiro, a operadora francesa Orange Business Services tornou-se a terceira operadora estrangeira a lançar uma conexão direta à sua rede global em Moscou e São Petersburgo. Provedores de conteúdo e operadoras de telecomunicações locais podem aproveitar esta oportunidade. A empresa planeja estender sua oferta também a outras cidades no futuro. Acredita-se que a conexão direta à rede da empresa melhorará a estabilidade da internet no país, proporcionará condições mais vantajosas para a troca de tráfego em roaming, melhorará a qualidade do acesso a serviços estrangeiros e aumentará a concorrência no mercado de ofertas de transferência de tráfego internacional.

Outra maneira de otimizar a carga da rede é usar a plataforma DPI com suporte à função QoS (Qualidade de Serviço), que pode proporcionar uma economia de até 25% na capacidade do canal. O QoS analisa os pacotes de tráfego e ajusta a largura de banda de acordo com as configurações predefinidas. Além de definir regras para pacotes e recursos de Internet, você pode configurar a priorização para tráfego de assinante específico, VLANs ou por porta, caso tenha vários UPLINKs. Também é possível limitar a largura de banda para um usuário individual com base no plano tarifário.

Conclusão

Uma situação em que muito tráfego possa “quebrar” a internet é bastante improvável. Você pode usar serviços modernos e canais de vídeo com segurança e sem restrições, sem consequências destrutivas para a rede global.